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  • Luciano Cirumbolo

O Cinema como Expressão e Atitude

Atualizado: 19 de Set de 2018


Há várias formas de se assimilar o mundo e toda sua torrente de incentivos, seja através das relações interpessoais mais espontâneas, pelos apontamentos da ciência, da política, pelo viés da religião ou, simplesmente, por meio das imagens que nos cercam e acabam englobando os segmentos citados acima.


Se estamos vivos, somos invadidos por imagens constantemente, seja por estímulos externos (realidade concreta objetiva) ou por constantes motivações de ordens subjetivas (sonhos, ideias, devaneios e impulsos anímicos). O espaço cotidiano em si é um imenso campo no qual as imagens brotam e se renovam a todo momento, nos propiciando instantes de reflexão e transformação a cada passo dado.


Pensando dessa maneira, por que não eleger o Cinema como mais um veículo pelo qual podemos compreender e expandir nossa percepção de mundo?


Inserido no campo da produção artística visual, o Cinema é classificado mundialmente, após o Manifesto de Ricciotto Canudo, como sendo a 'Sétima Arte' relacionada a um conjunto de técnicas expressivas. Assim como a dança ou a literatura, sua função é a de sensibilizar a humanidade através da criatividade, ampliando a cultura e a transformação dos indivíduos.


De um modo geral, o exercício de se 'fazer Cinema' pode ser compreendido por meio de duas significativas correntes: o Cinema Comercial e o Cinema de Arte (ou Autoral).


Para o primeiro estilo englobamos as super-produções, os trabalhos filmados em grandes estúdios (como Universal, DreamWorks e Columbia Pictures, por exemplos) e, essencialmente, com um roteiro orientado para o entretenimento. Atualmente a dominância de grandes filmes comercias (os blockbusters) advém de criações norte-americanas, as quais se especializaram em filmes de ação, ficção e horror cercados por alta tecnologia e rápidos movimentos de enquadramento.


Já o segundo estilo é voltado para as produções mais intimistas e de cunho pessoal, conforme o termo autoral designa de acordo com a obra produzida. São filmes cujo valor criativo está voltado mais para o conteúdo a que pela forma. São caracterizados, também, pelo enredo aberto, lento, por narrativas livres ou mesmo não lineares, convidando o espectador à tarefa de 'criação de sentidos'. O Cinema de Arte está voltado para as produções dominantes na Europa e Ásia, constituindo um grupo menor (embora consistente) de seguidores. De certa maneira, é antagônico ao Cinema Comercial devido ao tom introspectivo e reflexivo, não propriamente revelando uma diversão ou passatempo, mas, acima de tudo, um exercício diferenciado de sentir e discriminar as imagens.


Enquanto no Cinema de Entretenimento a assimilação das imagens é feita instantaneamente, sem dualidades, no de Arte o exercício aparece de maneira simbólica: a imagem pode ser transmitida de maneira implícita ou carregada de diferentes sentidos.

Seja qual for o estilo de expressão, há uma relação imediata e direta do observador com as imagens que saltam da tela, fazendo vibrar conteúdos psíquicos diversos, ativando memórias afetivas e criando uma conexão irresistível entre aquilo que é apresentado como produção artística e aquilo que é assimilado como percepção visual.


Sendo assim, podemos classificar o Cinema como uma importante ferramenta de sensibilização e transformação por meio de imagens, levando seus adeptos a encarar o mundo de diferentes maneiras e intensidades, assim como também, fazendo-os rever suas crenças e motivações.

Fotos de Divulgação:

(1) Eddie Redmayne e Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa - 2015)

(2) Jeremy Renner e Scarlett Johansson (Vingadores - Guerra Infinita - 2018)

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