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  • Luciano Cirumbolo

Exposição - Imagens de uma Saudade

Atualizado: Abr 30

São Paulo sempre oferece boas oportunidades para explorar novos campos e espaços. A dica cultural que divulgo para este mês parte de uma iniciativa do Museu de Arte Sacra, juntamente com os olhares atentos dos fotógrafos Arlindo Gonçalves e Luciana Fátima, os quais concederam 21 imagens de seu acervo pessoal para evocar o tema SAUDADE.


Apesar da palavra não existir em todos idiomas, ela advém do latim "solitas", que seria uma variante de "solitate", expressando a ideia de saudação, cumprimento ou ainda uma espécie de reverência com a mão e a cabeça frente a alguém de significativa importância. Associada acima de tudo com a ausência ou lacuna afetiva entre duas pessoas, ela está intimamente relacionada às lembranças e memórias deixadas pelo caminho.



Bastante utilizada na Literatura, na produção poética e nas antigas trovas (músicas medievais), a "saudade" expressa o desejo de uma pessoa em atravessar o limite de um espaço-tempo e, minimamente, tocar àquele(a) que não mais está presente no mesmo plano de interação. A morte ou a ruptura se faz presente na maioria dos casos, revelando estados de embotamento, tristeza ou lágrimas que escapam do controle.


O trabalho analítico com a saudade refere-se também uma das etapas de enfrentamento do Luto e um dos degraus para a restauração de um "eu" que sofre pela perda de um ente querido. A falta que o outro provoca, os pensamentos recorrentes (por vezes obsessivos), o anseio por estar perto e as vozes que insistem em atravessar o peito, tudo isso são extensões de um âmago que busca entender a si mesmo e os caprichos do Mistério da ausência.



No campo da representação simbólica, a saudade comumente aparece na chamada Arte Tumular, a qual abre espaço para trabalhos expressivos na caracterização de mausoléus, campas e adereços desenvolvidos junto à cemitérios. Há trabalhos de diferentes tamanhos e significados, criados na intenção de propiciar uma "ponte imaginária" entre o vivo saudoso e o falecido adormecido.


Pensando nesta transcendência entre mundos, a exposição convida àqueles que querem refletir sobre o papel da saudade como uma possibilidade de resposta ou mesmo gesto amoroso envolvendo duas realidades que se complementam, mas que intimamente são tomadas pelo silêncio.


(L.Cirumbolo)



Onde: Sala Metrô Tiradentes (Anexo ao Museu de Arte Sacra)

Quando: de 28 de setembro a 02 de novembro (2019)

Curadoria: Vanessa Bortulucce

Entrada Franca

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